PRIMEIRA APARIÇÃO DE GAMORA!

Adam Warlock é um dos personagens mais fascinantes de todo o panteão de super-heróis Marvel. Criado por Stan Lee e Jack Kirby como uma figura de Cristo e surgindo pela primeira vez apenas em forma de casulo na revista Quarteto Fantástico #66, de setembro de 1967 e em forma já humanoide, chamado apenas de “Ele”, no número seguinte, Warlock é, como se pode esperar, um personagem trágico e que, ao longo de décadas, já sofreu muitas mortes, tendo que enfrentar Thanos diversas vezes, além de Magus que nada mais é do que ele próprio, só que no futuro, uma espécie de versão do “lado negro” de si próprio.

Mas é Jim Starlin que faz de Adam Warlock o que ele é hoje, trazendo-o para aventuras mais cósmicas e entregando-lhe um fardo pesadíssimo para carregar. Com isso, Warlock ganha a joia da alma, uma das joias do infinito, que ele passa a carregar em sua testa. E o citado Magus é criado. E é no meio da narrativa em que Warlock caça Magus, peregrinando por todas as “filiais” da Igreja Universal da Verdade (que idolatra sua versão do futuro) e que traz um novo e duradouro uniforme para o galante anti-herói de pele dourada.

Trata-se de Parte II do chamado “Julgamento de Adam Warlock”, em que ele é inserido em uma kafkiana e bizarra situação em que é julgado por um tribunal comandado por Kray-Tor. Mas é um tribunal extremamente parcial e que o próprio Kray-Tor afirma que é. Mas Kray-Tor acredita de verdade na lisura desse tipo de procedimento e prossegue apesar das argumentações lógicas de Warlock no sentido de que ele, sendo a versão do presente de Magus e sendo Magus quem comanda espiritualmente o julgamento, que Warlock não poderia ser julgado por ele mesmo.

Warlock não tem saída que não seja usar o poder da joia da alma e que ele ainda mal controla e, na verdade, receia tremendamente em usar, para absorver a alma de Kray-Tor. Com isso, seu sentimento de culpa aumenta ainda mais, pois ele, em número anterior, já havia absorvido a alma de Autolycus, um Cavaleiro Sombrio da Igreja Universal da Verdade e aprendido que essa absorção o faz capturar toda a vida da vítima para dentro de sua própria vida.

obs.: a versão do século XXXI de Autolycus, na Terra-691, é o Espírito da Vingança.

É claro que todo o julgamento é apenas uma cortina de fumaça para que a Matriarca, uma das comandantes da Igreja, domine Warlock e faça uso da joia do infinito. O importante é que, durante esse entrevero, o companheiro de Warlock, Pip, encontra, em um bar, uma misteriosa e sensual mulher de pele verde, que pergunta por Warlock, afirmando que deseja se juntar a ele caso ela determine que Warlock tem chances de derrotar Magus, caso contrário ela o matará.

Apesar de permanecer sem nome nesse número, estamos diante da primeira aparição de Gamora, que, mais para a frente, teria papel essencial na vida de Warlock, juntando-se a ele na Guarda do Infinito.

A arte de Contos Estranhos #180, pelas mãos de Starlin, é densa e quase gótica, com uma arquitetura planetária escura e entristecida, passando muito bem o que o autor pensa de uma entidade como a Igreja Universal da Verdade. É um trabalho que chama a atenção pelos detalhes e pela diagramação dos quadros, em um esquema 3x3x2 ou 3x1x1 (e variações) muito eficaz.

Personagens: Adam WarlockMagusKray-TorPip, O TrollGamora
Roteiro: Jim Starlin
Arte: Jim Starlin
Arte-Final: Jim StarlinAlan Lee Weiss
Editor original: Len Wein
Publicada originalmente em Strange Tales (1951) n° 180/1975 – Marvel Comics

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